Um novo modelo de desenvolvimento

08/11/2011

Article paru au Brésil dans Monitor Mercantil

Enquanto no Japão um terremoto gerava um tsunami que provocava uma catástrofe nuclear, no norte da África, a onda de acontecimentos políticos se estendia sucessivamente de um país a outro. Mas por que relacionar um evento ao outro? Por que estes dois acontecimentos, tão díspares, levam-nos a julgar verdades estabelecidas! As duas situações, sobretudo após a crise financeira de 2008, evidenciam a crise do sistema liberal e capitalista.

Quando o tsunami golpeou o Japão, tudo foi arrastado pelo mar. Após a tragédia, o mundo se virou solidariamente para um povo valente diante de um drama. A contida população japonesa não foi a única afetada, e todos devem extrair a sua própria lição do desastre.

Estamos em um momento decisivo da história. A própria noção de modernidade envelheceu de repente. Ao mesmo tempo que o desastre japonês aconteceu, fomos testemunhas de outro crucial acontecimento: tunisianos e egípcios lançaram-se contra a situação política dos seus países.

Isto também deve nos conduzir a uma revisão das nossas análises. Os processos de transformação e as expectativas acumuladas provocaram rachaduras em sistemas autoritários que pareciam inflexíveis. Ainda é muito cedo para avaliarmos as consequências desses movimentos, mas houve um rompimento da ordem estabelecida, o que evidenciou uma vontade de ética que deve inspirar a todos.

Nos dois casos, percebemos que é vital levantar o véu que cobre este mundo doente. Não para fomentar uma regressão, já que os países mais pobres seriam as primeiras vítimas disso. E sim para inventar novos processos de criação de riqueza partilháveis que sejam antes de mais nada respeitosos com os cidadãos que os criam e com o seu meio.

Faz tempo que empregam-se índices para medir a eficácia dos Estados. A isso se dedicam o programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o Global Compact, o Centro de Jovens Dirigentes da Economia Social e outras instituições. Estas referências devem ordenar-se e servir para reformular o conjunto de estratégias de desenvolvimento. No entanto, implementar novos instrumentos de medição, adaptados aos desafios dos tempos, só será útil se estimular diferentes formas de ação.

Das rupturas com o sistema dominante até o momento, a economia social aparece como o exemplo a ser seguido, pois responde a regras inovadoras: a gestão democrática, a propriedade ao mesmo tempo privada e coletiva, a partilha justa dos excendentes, a igualdade entre as partes beneficiárias, a solidariedade. Cooperativas, associações, fundações, entidades beneficentes e organizações de auto-ajuda estão presentes em todas as partes do mundo e atraem a atenção dos atores sociais, sindicais, econômicos e políticos das diferentes nações.

Essas organizações desenham sobre o território o que poderia ser um modelo de desenvolvimento sustentável, socialmente integrador, civicamente estimulante e ecologicamente ativo. A economia social deve se converter em um aliado dos governos e das instituições internacionais e não só dos movimentos sociais, culturais e sindicais.

Este será o objetivo principal do Encontros de Mont-Blanc, que acontecerá no próximo mês, e que será uma prévia da Rio+20. Há outras vias de desenvolvimento, outras formas de passarmos de uma era prisioneira a uma era cidadã, outras formas de reinventar e se debater.

Os tunisianos, os egípcios e outros povos demonstraram que não há nada impossível. Trouxeram novas esperanças e devem animar-nos a pensar e apoiar alternativas. E, se há alguma dúvida, o sofrimento do povo japonês deve obrigar-nos a modificar as nossas opiniões, atitudes e práticas, e deve levar-nos a procurar novas respostas para fazer frente à situação insustentável que vivem milhões de mulheres e homens de todo mundo.

Thierry Jeantet

Presidente dos Encontros de Mont-Blanc, reuniões bianuais que os representantes da economia social da França realizam para discutir perspectivas de ações coletivas.

Source : http://www.monitormercantil.com.br/mostranoticia.php?id=103545

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